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13/12/2017Infância digital – O perigo da desconexão com a vida

Foto: iStock by Getty Images

De acordo com levantamento da Anatel – Agência Nacional de Telecomunicaçôes,  temos 242,1 milhôes de linhas celulares em operação para uma população de 208,2 milhôes de brasileiros (IBGE), o que comprova a incorporação da tecnologia na vida das pessoas e alerta quanto ŕ dimensão da revolução social e complexidade dos tempos atuais.

Não há como voltar atrás nos avanços tecnológicos e na sua inserção em todas as esferas da vida moderna. Sua influência torna-se cada dia mais forte e sua utilização essencial para a sociedade. Existem aspectos altamente positivos na análise dos novos tempos e outros ainda sombrios que levam a muitos questionamentos e evidências de efeitos nocivos.

Hoje com menos de 3 anos de idade, as crianças já sabem usar smartphones, brincam com tablets, jogam games, entretanto, poucas são capazes de amarrar os cadarços do tênis, pular corda, amarelinha, subir em árvores, etc.

O uso precoce e excessivo da tecnologia é um fenômeno recente no cenário da infância. Pouco se conhece a respeito de suas consequências a médio e longo prazo. Por esta razão tem sido alvo de pesquisas e estudos para investigação dos impactos e repercussôes sobre a dinâmica familiar, desenvolvimento, comportamento e aprendizado infantil.

Segundo o estudo americano Zero to Eight: Children’s Media Use in America de 2013,  entre 2011 e 2013 o acesso a mídias móveis pelas crianças americanas estourou. Neste período o número de crianças menores de 8 anos com acesso a tablets quintuplicou pulando de 8% para 40%. Em 2013, 38% das crianças com menos de 2 anos utilizavam um gadget, ante 10% em 2011. Entre 2 a 4 anos a taxa subiu de 39% para 80% e entre 5 e 8 anos, de 52% para 83%.

Profissionais da área da saúde e educação alertam quanto aos efeitos que de alguma maneira tem sido relacionados ao uso precoce e abusivo das tecnologias digitais pelas crianças, tais como dificuldade de concentração, distúrbios do sono,  dificuldades de socialização, atraso de aprendizagem, entre outros.

De acordo com o Dr. Cristiano Nabuco de Abreu, psicólogo e coordenador do Grupo de Dependência Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria do  Hospital das Clínicas de São Paulo, a situação é preocupante. Em sua experiência clínica tem atendido casos de crianças viciadas em smartphones, videogames e tablets, incapazes de se relacionar sem ser virtualmente, de manter a concentração e até mesmo dar sequência a um raciocínio lógico, crianças com pouco mais de 2 anos de idade que não comem, nem vão para a cama se não tiverem o aparelho ao lado.

Na visão do Dr. Rich, pediatra americano, o tempo gasto com as mídias digitais pela criança está tomando o lugar de atividades mais importantes ao estímulo e desenvolvimento do cérebro infantil e impedindo que a criança vivencie um tempo de inatividade (tédio), necessário para a organização psicológica e a criatividade.

 

Além disso, as mídias de telas interativas têm sido fortemente usadas por adultos para promover distração nas crianças, com o intuito de acalmá-las nas mais variadas situaçôes do dia a dia – durante as refeiçôes, para ir ao banheiro, adormecer mais facilmente, em passeios de carro, em salas de espera, restaurantes, procedimentos médicos, etc. As crianças estão vivendo um estado de anestesiamento diante da vida real.

Máquinas “falam” com elas por horas todos os dias de maneira fria, impessoal, descontextualizada, desprovida das experiências vivenciadas dos adultos, sem a transmissão de valores culturais. A linguagem dos smartphones e tablets é uma linguagem de isolamento.

Adultos e crianças estão sendo sugados para seus próprios mundos digitais. Isso não é sem consequência, interfere no convívio social, na interação e qualidade dos relacionamentos, restringe a comunicação, o olhar, o toque, suprime a separação de tempo de trabalho e tempo de lazer e família, e interrompe o momento presente a cada nova mensagem que chega, a cada toque do celular.

Sabe-se que a criança aprende melhor e de forma mais eficiente com brincadeiras e interagindo com os pais, cuidadores, professores e amigos no mundo real e tridimensional.  Se ela passar um tempo muito extenso em atividades tecnológicas, poderá comprometer habilidades sociais, de comunicação e a inteligência comportamental.

Lembremo-nos, na ausência do outro, o homem não se constrói homem.

fonte:ciclovivo Por Ana Lúcia Machado, do blog Educando Tudo Muda

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