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09/07/20183 consequências do uso precoce e excessivo da tecnologia

Temos uma infância cada vez mais permeada pela tecnologia. Segundo o estudo americano Zero to Eight: Children’s Media Use in America de 2013, entre 2011 e 2013 o número de crianças menores de 8 anos com acesso a tablets quintuplicou pulando de  8% para 40%. Em 2013, 38% das crianças com menos de 2 anos utilizavam um gadget, ante 10% em 2011. Entre 2 a 4 anos a taxa subiu de 39% para 80% e entre 5 e 8 anos, de 52% para 83%.
 
O uso precoce e excessivo da tecnologia é um fenômeno recente no cenário da infância, entretanto especialistas em Primeira Infância já começam a identificar  impactos e repercussôes sobre a dinâmica familiar, desenvolvimento, comportamento e aprendizado infantil.
 
Acompanhe algumas das principais consequências do uso do mundo digital por crianças pequenas, apontados pela Psicóloga, Psicanalista, Doutora em Psicologia Clínica USP – Claudia Mascarenhas Fernandes, a Professora Associada de Pediatria e Clinica de Adolescentes da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Rio de Janeiro – Evelyn Eisenstein, e o Médico Neuro Pediatra da Metaclinica e Neuro Fisiologista do Hospital Universitário Pedro Ernesto da Universidade do Rio de Janeiro – Eduardo Jorge Custódio da Silva.
 
O corpo fora da ação
Para uma criança conhecer o mundo e se desenvolver, sua motricidade precisa estar engajada nesse projeto: de modo concreto, implica deslocamentos, movimentaçôes, coordenaçôes sensoriais, manipulaçôes. É a inteligência sensório-motora. Até 2 anos, a pura imagem, além de não lhe ensinar nada (pois se traduz unicamente por movimentos em frente aos seus olhos) dificulta-lhe a aprendizagem quando economiza ou evita o engajamento do corpo no projeto de conhecer o mundo, começar a movimentar o corpo, engatinhar, andar, tocar objetos e alcançar com suas pernas e braços o mundo ao redor.
 
O corpo fica sem sentir
Para um Corpo sentir e o psiquismo poder representar o mundo que entra pelas sensaçôes, é preciso que todas as sensaçôes (visão, audição, olfato, paladar, vestibular, propriocepção, tato) sejam percebidas, organizadas e interpretadas. Se a visão e a audição, se sobrepôem ŕs demais, haverá um processamento deficitário e que poderá desenvolver sérios problemas para integrar todas essas sensaçôes, e portanto, dificuldades em se desenvolver de modo integral, a seguir.
 
A vida lá fora
Os hábitos familiares ligados aos aspectos cotidianos como dormir, comer, passear, estão sofrendo modificaçôes a partir do uso das mídias digitais. A cena de encontrar em restaurantes as crianças com um tablet ou celular, ambos usados como entretenimento na hora da refeição, ou mesmo sendo usados quando os pais se deslocam no trânsito para que a criança não tenha qualquer incômodo, são alguns exemplos do que estamos vendo atualmente.
 
Em relação ŕ alimentação, sem sentir fome ou saciedade, os alimentos penetram na boca da criança sem que o gosto, o sabor, o cheiro, o olhar, as pausas, as conversas ocorram e sem desejos ou vontades, como se tudo fosse no “automático” ou com distorçôes de imagens dos alimentos vistos nas telas.
 
A criança vidrada na tela durante esses acontecimentos cotidianos, faz com que não haja espaço entre a demanda e a satisfação, portanto, também para desenvolver a criatividade nesse espaço (o que faço nesse momento de espera, de tédio, de buraco?), consequentemente, nessa impossibilidade de administrar o tempo e as realidades ŕ volta, ocorrem desequilíbrios entre as frustraçôes e a tolerância necessária que as relaçôes exigem, tanto com o “outro” e consigo mesma.
 
Conheça as demais consequências do abuso tecnológico na infância  acessando o artigo completo AQUI.

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